IISC e Pastoral da Mulher Marginalizada se unem no combate a fome durante a pandemia



Devido ao agravamento da pandemia global do novo coranavirus, em São Paulo, e a preocupante situação da população em situação de rua na cidade, que hoje soma cerca de 25mil pessoas. O Instituto das Irmãs da Santa Cruz em parceria com a Pastoral da Mulher Marginalizada (PMM) estarão produzindo cerca de 100 marmitas para serem entregues duas vezes durante a semana, no Serviço Franciscano de Solidariedade (SEFRAS), até o final do mês de Maio. Com as medidas de isolamento social adotadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde, os serviços da rede sócio assistencial foram suspensos por tempo indeterminado, por conta da grande confluência de pessoas nesses espaços e da exposição ao vírus através do contato com o público. Sem os serviços que garantem o mínimo de dignidade humana, as populações em situação de vulnerabilidade enfrentam situações precárias que vão da extrema necessidade que é a falta de teto, comida e água até a impossibilidade de se cadastrar no auxílio emergencial, garantido a população de baixa renda. Para a Irmã Elizangela Matos, da Congregação das Irmãs da Santa Cruz, a situação está sendo muito desafiadora, o próprio auxílio emergencial que deveria resguardar essa população está sendo dificultoso devido uma série de questões. “O próprio sistema está dificultando bastante as pessoas a receberem este auxílio, uma das questões é por que a documentação é complicada, tem pessoas que não estão com o CPF regularizado, e tem todo um tramite pra poder regularizar. Tem muitos que não possuem documentação, não só o CPF, mas outros documentos como o RG. Tem também as pessoas que não tem celular pra fazer o seu cadastro. É uma confusão que se tornou um pesadelo na vida das pessoas, principalmente da população de rua”, conta Elizangela. Mesmo com dificuldade, a irmã tem realizado alguns cadastros junto a população assistida pelos projetos “Mulher Cidadã”, da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo – Núcleo Regional Sé, e pela PMM. Elizangela ressalta que a grande preocupação neste momento é com as populações famintas, que não tem recursos físicos para reagir imunológicamente ao vírus se não se alimentarem. Ela comenta sobre a máxima “Fique em Casa” e “Estamos no mesmo barco” propagadas durante os últimos dias. “Olhando toda essa realidade, eu penso que nós não estamos no mesmo barco, podemos estar enfrentando a mesma tempestade, a mesma luta, mas no mesmo barco nós não estamos. Se olharmos as pessoas que não tem nem casa e não tem condição nenhuma de fazer um isolamento social, então não estamos no mesmo barco mesmo, com muitas pessoas sem ter como se alimentar. É um vírus que veio para todos, mas nem todo mundo tem a possibilidade de se proteger e se cuidar caso necessite. Cada um tem o seu jeito de sobreviver e até a forma de sobreviver é desigual”, pontua a religiosa. O Instituto das Irmãs da Santa Cruz também vem colaborando com organizações que estão solicitando apoio financeiro, como por exemplo a Rede Rua de Comunicação, que solicitou tendas para a população de rua, e algumas entidades que solicitaram alimentação. Nosso objetivo e formar uma rede de solidariedade a fim de atravessar da melhor forma esta situação. Texto| Mayara Nunes

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