No mês de Maria, busquemos um novo olhar diante das múltiplas violências enfrentadas pelas mulheres

A tradição cristã católica celebra em maio a devoção a Maria, tendo - a como arquétipo, ou seja, modelo de Mãe de todo o povo cristão. Maria é mãe de Jesus e nossa! E, por certa apropriação celebramos todas as mães, assim sendo, ambas têm como foco gerar vida e o cuidado com ela. Nesta perspectiva, todos os seres humanos permanecem ligados a esta Mãe e mulher. Portanto, não existem filhos sem mãe. Por sua vez, Maria é a mãe de toda humanidade porque aceitou sem reserva colaborar no projeto de salvação e, com a chegada de Cristo, pela fé, e pelo batismo todos os seres humanos se revestem de sua graça, isto é, são transformados para se tornarem imagem D’Ele; (cf. Cl 3,11). Em Cristo, somos todas libertas de qualquer lei e de qualquer diferença que possa privilegiar uns e marginalizar outros. Estes são fundamentos inegáveis de nossa fé! Entretanto, não alheios a fragilidade humana sabemos que a igualdade é algo a ser buscado enquanto houver pessoas marginalizadas quer sejam, por sua condição étnica, gênero e/ou qualquer outra situação desde quea dignidade humana seja o valor maior a ser preservado. Estamos vivendo tempos difíceis: uma pandemia globalizada ataca a todos de forma impiedosa, a sociedade está nua - o sistema capitalista enquanto modelo social mostra a sua fragilidade para articular uma alternativa, na qual todos possam ser contemplados, assim vai revelando princípios e atrocidades que são gestadas no dia a dia, no (des)governo das vidas descartáveis. Há uma ofensiva a todas as famílias principalmente as mais desfavorecidas; são 11 milhões de família compostas por mães que podem não ter com quem compartilhar todo o trabalho da casa, além de pensar no sustento e nos cuidado com os filhos.

Maria das Dores Pereira, pedagoga e agente da Pastoral da Mulher Marginalizada


Dentre estas temos que ressaltar “as mulheres negras que estão em situação peculiar na sociedade, não apenas por que estão na base da pirâmide, mas porque nosso status social é inferior a qualquer grupo. Isto significa que carregamos o fardo da opressão sexista, racista e classista.”[1]. A luta dos empobrecidos pela sobrevivência é histórica em nosso país! Não que antes estivessem melhores, sempre estiveram aí, invisíveis aos nossos olhos, característica comum do capitalismo que busca naturalizar tudo aquilo que não é natural, como por exemplo, não é natural a miséria, a fome, a discriminação, a violência seja ela de qualquer natureza. Diante desta travessia se por um lado o isolamento social se mostra como uma estratégia mais eficaz para a proteção da saúde; por outro revelou se um grande desafio para as mulheres e (crianças), que estão dentro casa. Uma nota recente do Ministério Público afirma que: “a casa é o lugar mais perigoso para a mulher” em tempo de pandemia, pois estando ao lado do seu agressor, fica inviável fazer a denúncia. O órgão destaca ainda que 66% dos casos de feminicídio ocorreram dentro da casa da vítima. Felizmente o Estado de São Paulo mudou as regras para facilitar o registro que antes exigia a presença física das vítimas em delegacias, agora permite que aqueixa mediante o preenchimento de um formulário na delegacia pela Aba: “Outras Ocorrências”. Dados do Ministério da Família e dos Direitos Humanos também registraram alta de quase 9% nas denúncias; a Justiça Estadual do Rio de Janeiro divulgou 50% mais casos de violência doméstica a partir do momento em que o isolamento social passou a ser adotado. Obviamente que o objetivo deste é preservar a saúde de todos e não colaborar com a violência. A nossa sociedade para além da covid-19 convive com outro vírus cultural terrível: O dualismo sexista que tem a crença de que um sexo ou gênero é por natureza superior ao outro e, é esta ideia levada ao extremo que gera e fomenta agressividade, assédio sexual e toda forma de violência contra as mulheres. Sabemos que mulheres e homens são constituídos de forma diferente, portanto, segue-se daí a necessidade de uma igualdade que reconheça a diferença e que não reproduza as desigualdades. E, por acreditar no ser humano é que a Pastoral da Mulher Marginalizada, neste momento tão duro em que somos afetados por essa pandemia, tem o seu olhar atento aos fatos que atingem todas as mulheres e de forma propositiva busca ser uma referência e apoio a quem muitas vezes é invisível aos olhos da sociedade.


Texto de Maria das Dores Pereira


Referência bibliográfica: www.nexojornal.com.br/expresso/2020/04/04 [1] Teoria feminista. Da margem ao centro /Bell hooks; tradução Rainer Patriota- São Paulo: perspectiva, 2019 – SP. Página 26

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