Pastoral da Mulher Marginalizada organiza formação para a captação de recursos


Encontro regional discute formas de arrecadação através de editais e faz análise de conjuntura do papel da mulher na sociedade


Nos dias 11 e 12 de abril, a Pastoral da Mulher Marginalizada (PMM) organizou um grande encontro regional, que contou também com a participação da equipe de Várzea Grande, Cuiabá – MT, região centro-oeste.


O encontro se deu com o objetivo de formar as agentes pastorais para a captação de recursos em editais socioeducativos. Representantes de diversos cantos do Brasil compartilharam experiências da atuação religiosa e social pelo combate à prostituição, tráfico de pessoas e a exploração sexual que atinge mulheres, crianças e adolescentes de todo o país.


Com um tema tão complexo, o encontro não poderia deixar de apresentar como base para a formação das agentes, uma análise de conjuntura. Para isso, foi convidada a psicóloga e agente de pastoral Maria Augusta Dib, que abriu a formação falando sobre o lugar da mulher na caminhada da história.


Maria Augusta preferiu fazer uma análise de conjuntura sob a perspectiva da atuação da PMM, dado que o atual contexto político se encontra em um momento muito instável para qualquer tipo de análise. “Preferi contextualizar a partir do próprio histórico da Pastoral, onde contei desde o começo a trajetória do lugar da mulher na sociedade. Nós da PMM atuamos com mulheres em situação de prostituição, mulheres que a sociedade fez existir e ao mesmo tempo marginaliza, isto sempre foi e continua”, conta Maria Augusta.


Durante a abertura a psicóloga trouxe diferentes contextos da antiguidade que denotam o elo que gerou a falta de compreensão e aceitação do feminino, refletindo em nossa sociedade até os dias de hoje. “A sociedade alimenta a prostituição, quase que ela precisa da prostituição. Ela prega de uma certa forma, e ao mesmo tempo crucifica, condena, marginaliza, acha que não precisa de cuidados de saúde, não precisa de cuidados da previdência, e isto não está associado apenas a questão do sexo, muito é porque está associado a questão da mulher”, explica a psicóloga.



O segundo momento do encontro contou com a participação de Fabiana Ferreira, pedagoga e especialista em violência doméstica, Fabiana atua como Diretora Educacional em uma ONG, no Jardim Itatinga, em Campinas. A região é conhecida como a maior zona confinada de prostituição do mundo. Vice-presidente do Secretariado Nacional da PMM, Fabiana trabalha especialmente com crianças que são filhas e filhos de mulheres em situação de prostituição.


A pedagoga trouxe para o encontro, a formação em captação de recursos, ensinando as agentes como convencer os apoiadores a financiarem uma causa tão difícil e ao mesmo tempo tão necessária para a vida das pessoas que sofrem com a falta de políticas básicas de educação, emprego, moradia, que associadas ao preconceito de gênero geram uma desigualdade extrema. Essas mulheres, muitas vezes se veem sem saídas e vão buscar a subsistência na prostituição.


“A minha participação neste evento é enquanto vice-presidente, dentro do secretariado nacional, olhando para as equipes locais do Brasil inteiro, que não temos condições de dar suporte financeiro, que é a maior necessidade de todos os movimentos sociais. Porém, nós temos condições de levar a formação, principalmente para a captação de recursos. Como que é? O que precisamos buscar? Para que as agentes de pastoral se sintam fortalecidas e tenham base do que é a captação, e para que nós possamos garantir o papel do Secretariado Nacional, que é um pouco daquilo que a gente gostaria, mas não é possível diante da realidade do nosso país”, elucida a vice-presidente.


Fabiana atua há 20 anos dentro do contexto do Jardim Itatinga, sempre visando a garantia de direitos e deveres das mulheres em situação de prostituição e vítimas da exploração sexual, que comumente ocorre na região. “Sabendo que é um perfil que a sociedade não aceita, todo preconceito e descriminação contra essas mulheres. A questão da prostituição é muito complexa e está atrelada a várias condições sociais, que a própria sociedade coloca em relação as mulheres. O papel da pastoral é olhar para essa mulher, para esse ser humano enquanto filho e filha de Deus, presando sempre pela garantia de direitos e deveres, na luta constante de que são pessoas, são seres humanos independente do que elas fazem. Como elas chegam lá, pra gente também é muito importante. É ser presença profética, é ser uma presença de escuta solidária, estar ao lado daquelas que estão nesta condição de exclusão”, relata Fabiana.


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